Beatrice tinha um dom. Ela enxergava além. O que para uns era uma janela quebrada, para Beatriz era uma oportunidade de mudar de janela. Para uns, nota baixa, pra ela, desafio para aumentar. E sempre foi assim.
Mas, não era "o lado positivo" das coisas que ela via. Ela simplesmente via além.
Quando encontava alguém, sabia que tipo de relação teria com a pessoa: amizade, confiança plena, companhia pra bares, amigo de férias... e sempre acertava.
Por algum motivo isso passou de mera intuição à condição. Nada mais surpreendia. Talvez como as coisas aconteciam, mas o desfecho, era sempre como ela havia "vislumbrado".
Os que sabiam dessa condição, achavam que Bea era 'vidente'. Outros diziam que ela se condicionava à primeira impressão.
Mas o que todos sabiam era que sempre acontecia.
Um dia ela conheceu Matheus. Foi um dia comum. Nada de muito especial. Talvez tenha ficado marcado por uma foto tirada por um amigo em que ela parecia uma atriz francesa da década de 50. Fora isso, nada de mais. Só mais um dia.
Beatrice viu Matheus entrar, mas... até então, nenhuma 'visão'. Se tornaram figurinhas cativas e descobriram amigos em comum. Estranho, ela pensava.
Começaram a se falar e foi aí que ela entendeu. "Tem algo aí." Mas a imagem não tava clara.
Sem muito bla bla bla, começaram a namorar. E nem tudo foi flores no caminho, mas também não foi de todo mal.
Até o dia que acabou. E foi nesse dia que Beatrice entendeu: ela viu em Matheus um homem que não estava lá.
Mas não podemos culpá-lo. Ninguém é perfeito. E a Beatrice, bom, ela também não era a mulher que pensava ser.
Mas eles se amam. E o fim dessa história? Não sei.
Entre 10 anos
O que são 10 anos? Uma década? Uma vida? Muitas diferenças, pensamentos, ideias...
sexta-feira, 24 de junho de 2011
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Água morna
Não gosto de passar frio mas, também não gosto de calor.
Nunca sei se estou à frente nas tendências da moda ou se meu vestuário parou em décadas atrás.
Não gosto de lugares caros mas não me encaixo nos lugares baratos demais.
Meu gosto musical é tão inconstante quanto as hélices de um catavento.
Gosto de músicas que me lembrem momentos (bons e ruins). E, também gosto de músicas não me fazem pensar.
Praias no verão me atordoam. A serra no inverno também.
Nunca estudo. Mas, não deixo de ficar atenta na aula.
Se planejo, dá errado. Se ajo no impulso, estrago.
Não sou linda, protagoista de novela. Mas, não sirvo pro núcleo feio.
Não sou humorista, mas, não consigo falar sério.
Uso brincadeiras pra expressar verdades, mas também brinco sem querer expressar nada.
Não gosto de estar em evidência, mas invisibilidade também não me agrada.
Com os outros, me anulo para que brilhem. Mas fico contente quando reconhecem.
Cedo às vontades alheias mas adoro ganhar uma boa discussão.
Sou lenta pra entender muitos pensamentos, filosofias, piadas. Mas minha mente toma a velocidade da luz pra entender segundas intenções.
Dificilmente gosto do que todo mundo gosta.
Dificilmente gosto do que poucos gostam.
Não me arrependo de nada que tenha feito. Muitas vezes me arrependo de não ter deixado de fazer algo.
Rotina me cansa mas a falta de referência me deixa perdida.
Não consigo ter ordem mas tenho que saber aonde cada coisa está.
Só ando na linha pela adrenalina da possibilidade de surgimento de um trem.
Adoro entrelinhas mas uso, e às vezes abuso, da objetividade.
Prefiro chorar por ser magoada do que por saber que magoei.
Gosto ser adulada, cortejada mas, também gosto de um pouco de desprezo.
Romantismos não me atraem, mas por vezes me fazem chorar.
Não gosto de motéis mas,
Digo "Eu te amo!" a todos os amigos. Não consigo dizer aos meus amores.
Sou da liberdade, da privacidade e não me imagino sem isso. Porém, não sei se consigo viver só.
Amores melosos me sufocam. Amores relapsos também.
Sou assim, essa confusão de antagonismos.
Esse ser mediano, medíocre. Essa água morna. Algo não definido. Flexível, adaptável. Sem sal nem açúcar. Algo mais para o agridoce. Que causa estranheza e inquietude.
[Talvez o mais pessoal que eu já tenha escrito. Inspirado num dia frio e no sol queimando no rosto ao som de Só você manda em você - Vitor Ramil.]
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